Citações, Música, Fotografia, Desabafos, Notícias & Opiniões de uma Lusitana em Terras da Germânia

Freitag, Oktober 29, 2004

Locais de Culto

Por estranho que possa parecer, os cemitérios e o mar são dos locais que mais me tranquilizam.
O mar pela força, pela vida, beleza e paz que transmite, e os cemitérios pela paz sempre presente.
Sorrio sempre que algum dos meus amigos diz que tenho gostos mórbidos, ou que a minha sanidade mental não é das mais saúdaveis, já que não consigo associar os cemitérios a um fim, vejo-os como última morada de uma passagem em determinado estádio da alma num corpo materializado.
Não tenho medo da morte nem a vejo como algo tenebroso, é apenas uma porta que se fecha para outra se abrir. A passagem a uma outra dimensão.
As lágrimas que derramei pelos meus, que já partiram, foram apenas de uma saudade fisica. Sinto-os comigo. Sempre. O local onde os seus corpos repousam serve-me apenas para lá ir pensar alto. Gosto de lá ficar, contar-lhes como são os meus dias, mesmo sabendo que eles o sabem, é como que uma visita. Saio sempre de lá com paz interior muito grande. Sim, encontro a Paz nesses locais.

Existe um cemitério que me é muito especial. Fica algures na Irlanda, num local situado entre Baile Atha Cliath (Dublin) e Dún Laoghaire.
É um cemitério já sem culto que a natureza envolve nos seus braços com carinho (na foto).
Nem sei explicar o porquê desse sitio me ser tão querido. Quando me levaram lá pela primeira vez, fiquei confusa, tudo me era estranhamente familiar. Como se já lá tivesse estado antes. Senti como que um regresso a casa.
E aquela pedra tumular, gasta e escondida pelas heras e arbustos exercia e exerce uma força desconhecida sobre mim. Há imensas nesse local, mas só aquela em especial me atrai. Como eu gostava de saber a quem pertence aquela morada. Tudo o que poderia lá ter estado escrito mal se consegue decifrar. Ás vezes penso se não serei eu que lá repouso, depois de uma passagem num outro qualquer estádio da minha alma! Eu sei, é apenas um pensamento de quem tem imaginação fértil e cabeça eternamente sonhadora.

Tudo isto apenas para dizer que as pessoas em geral vêem a morte e os cemitérios pintados de negro e de lágrimas, onde só vão quase por obrigação. Eu apenas vejo um local de Paz e repouso entre uma vida e outra. Adoro a vida com toda a força que ela tem, tal como encaro a morte sem pressa, mas com toda a serenidade que me é possivel alcançar!











"Poema Celta - Jason Carns"
(Irish Gaelic)


„Istigh ar na h-inseáin tá sean-reilig bheannaithe
An áit inar mhaireadh naoimh san aimsir fadó
Tá daoine istigh ann ag chaith seal go h-aerach
Ní shiúlfaidh siad thar fán chladaigh níos mó.“



(Tradução - Irish English)
„Above on the headland there is a blessed old cemetery
The place in which saints lived in times long ago
There are people within spending a while carefree
The will not walk round on the shore any more.“






Comments:

2 Comments:

  • At 5:45 nachm., Blogger Cleu Randall said…

    Ei gostaria de le pedir algo.

    Lembra-se deste poema:
    "...E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
    Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
    Comigo caminham todos os mortos que amei,
    todos os amigos que se afastaram,
    todos os dias felizes que se apagaram.
    Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

    Então eu li ele em seu blog um dia.Gostaria de saber se posso coloca-lo em meu blog!!?!

    Bjinhus, espero respostas!
    =*

     
  • At 12:27 nachm., Blogger deSaraComAmor said…

    Senti o teu texto, nesta manhã em que também eu recordo com saudade os que partiram do meu lado, mas encho de flores todos os dias da minha vida, quando os lembro. Adorei o poema celta. Fascina-me todo o imaginário desse povo que extrai do mar e da terra tanta lenda maravilhosa. Beijinho para ti, Micas.

    deSaraComAmor

    Poemas de Trazer por Casa...

     

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