Citações, Música, Fotografia, Desabafos, Notícias & Opiniões de uma Lusitana em Terras da Germânia

Samstag, Oktober 16, 2004

Carta

...escrevo, ou escrevo-te e nem eu sei muito bem porque o faço. Sinto apenas vontade de o fazer.

São extratos dos meus pensamentos que se vão acumulando ao longo dos dias.
Tento descobrir como tudo começou. Revejo cada peça minuciosamente como se de um quebra-cabeças se tratasse.
Tento entender o que está a acontecer. Entender o que está para além do meu entendimento. Este misto de sentires que me deixam ora agitada ora calma, confusa e lúcida ao mesmo tempo. O querer e não querer. O medo. O medo constante do desconhecido. Um medo que me apavora e atrai. Mil e uma contradições que procuro decifrar sem contudo achar solução.

Dizes que és um extra-terrestre. Sou quase levada a crer que sim. Deves ser mesmo. Talvez seja essa a única explicação credível para este meu súbito comportamento anómalo.

Um dia, disse-te que as tuas palavras eram como uma cascata de águas puras e cristalinas onde eu bebia com sofreguidão, deixando essa mesma água escorrer pelo canto dos lábios, pelo prazer de sentir a pele em arrepios contínuos. Purificava-me. A alma e o corpo. As mesmas palavras [tuas] que me entonteciam com o seu cheiro a rosmaninho e erva doce, um vinho mágico pelo qual me deixava embriagar. Uma „droga“ que me viciou e me tornou dependente.

Necessito de ouvir a tua voz, o teu riso, para te poder sentir. E sinto.
Tento adivinhar teus gostos e adivinhar-te. Imagino-te pairando sobre mim.
Deixo que dedos me toquem ao de leve, desenhando o perfil de lábios [meus], sedentos de outros lábios [os teus], enquanto murmuras ao ouvido que me amas.
Já rendida entrego-me [a ti] a essa paixão que me consome, envolta em tons de azul e beijos em tons de rubro...
É apenas um sonho. Eu sei. Um sonho só meu, que guardo no meu mundo imaginário, nos meus Jardins Proibidos. Só meu.

Ouço agora Clannad que me envolve numa melodia de paz e serenidade.

Continuo a escrever [para ti]. Uma escrita desordenada. Não penso sequer trabalhar o texto. Tu já sabes que eu não sei escrever! É apenas o passar para a folha em branco tudo o que me vai na alma, ou quase tudo. É assim que eu sou e que quero que me conheçam, com todos os meus defeitos, transparente.

Continuo a escrever, sendo interrompida de vez enquanto por uma criança que chama, o telefone que toca, a campainha... Os sons do meu mundo real e banal de qualquer pessoa vulgar.

É já longa esta carta, longa demais para que percas tempo em a ler até ao fim. Também não importa, desde que a mim me tivesse dado prazer escrevê-la.

Deixo-te agora, beijando-te, ao de leve, nos lábios. Nos teus lábios. (...)

[15-09-04]
Comments:

2 Comments:

  • At 3:07 nachm., Anonymous Anonym said…

    olá Micas,
    Vim dizer olá e agradecer o linque do enigmódromo.
    Voltarei mais vezes para ler os teus escritos e espero que te divirtas com os meus enigmas.

    mago
    http://enigma.weblog.com.pt/

     
  • At 6:55 nachm., Blogger AmigaTeatro said…

    É sempre tão bom ler cartas.
    Conseguem ser sempre tão especiais.
    E esta carta foi bonita. Sentida.
    Eu gostei muito de a ler ;)

    Sara
    http://mundoajanela.blogspot.com

     

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