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Dienstag, September 07, 2004

Obrigada Zé

José Rosa de Araújo – O Guarda-Mor da Cadeia Velha de Ponte de Lima

Já lá vão uns anos quando tive a honra e o prazer de conhecer o Zé Rosa. Estavamos no verão de 86, tinha terminado o liceu, preparava-me para o ensino superior, e por conseguinte para deixar a terra que me viu crescer. Juntar algum dinheiro era o objectivo. Uma OTL seria uma maneira mais ou menos fácil de o conseguir durante as férias. Reservou-me a sorte, um lugar na Torre da Cadeia Velha, vulgo Arquivo Histórico de Ponte de Lima. E assim, numa manhã quente do mês de Julho, lá estava o Zé Rosa, no alto da escadaria de pedra gasta pelo tempo de histórias mil da sua cadeia velha. Esperava as suas ajudantes com um brilho nos olhos e um sorriso de boas vindas.
Na altura o Arquivo estava ainda em fase de catalogação e trabalho era coisa que não faltava, desde a catalogação e numeração do primeiro jornal da terra impresso pela primeira vez em finais do sec.XIX, os legados de António Feijó, e tantos outros escritores consagrados, filhos da terra. Os pergaminhos da vila, o foral de Ponte de Lima, datado de 1125, e tantos outros documentos belissímos sempre acompanhados pela explicação sábia do Zé Rosa. Foram 3 meses que mais pareceram 3 dias, tal foi o prazer da descoberta e do conhecimento adquirido. Devo-lhe muito do que hoje sei, e guardo quase como uma relíquia todos os postais e cartas que me ia enviando das suas viagens. Um amigo que ficou para a vida.
Para quem não conhece, o José Rosa Araújo, foi um experiente monografista de Viana do Castelo, dedicou a maior parte da sua vida a desenterrar o passado da sua terra. Citando o Dr. João Gomes de Abreu, “o Zé Rosa estabeleceu com as pedras diálogos eruditos que depois traduzia e publicava em linguagem escorreita e acessível, com um travo picaresco de tradição camiliana”.
Passava o tempo na sua Cadeia, como gostava de lhe chamar, lendo e relendo todos aqueles documentos e velhos livros que lhe traziam da “vala comum” onde há anos apodreciam. Publicou alguns livros e foi o “pai” de uma publicação periódica chamada Arquivo de Ponte de Lima para que o mesmo fosse colocado ao serviço de todos.
Chamou a atenção de muito nome ilustre, que por lá passou e deixou o seu contributo – José Marques, Veríssimo Serrão, Carro Otero e tantos outros que recebeu e fez amigo.
O Zé já cá não anda, as pedras velhas e gastas da sua Cadeia choram-no, mas o seu Arquivo, o seu trabalho ficou de vez, e no meu coração, o Zé viverá para sempre.

Obrigada Zé, estejas onde estiveres.
Comments:

1 Comments:

  • At 5:26 nachm., Anonymous Anonym said…

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